Editorial – Litoral

O Brasil vive um momento de extremo risco fiscal. Com a dívida pública se aproximando de 84% do PIB, o próximo presidente terá diante de si um dilema cruel: cortar gastos essenciais e enfrentar a fúria política, ou romper de vez com o arcabouço fiscal, criando ou elevando impostos em um país já exausto.

O governo Lula, em sua lógica eleitoral, optou pelo estímulo artificial: aumento de precatórios, expansão de programas sociais e crédito fácil, que já totalizam R$ 251,9 bilhões em “bondades”. A medida é apresentada como justiça social, mas na prática é cálculo político: inflar a economia em ano eleitoral, mascarar déficits e empurrar o problema para frente.

A trajetória da dívida evidencia a gravidade:

  • 2022: 71,7% do PIB, mesmo após a pandemia;
  • 2024: 77,5% do PIB;
  • Projeção 2026: 84% do PIB, uma escalada que sinaliza quase nenhuma margem de manobra para o próximo governo.

Enquanto isso, o Banco Central é obrigado a segurar juros altos para conter a inflação, criando a segunda maior taxa real de juros do mundo. A política fiscal do governo está no acelerador, enquanto o BC pisa no freio, gerando contradição e instabilidade. O resultado é uma economia aquecida não por produtividade, mas por dívida, com rombos escondidos e gastos fora de controle.

A PEC dos precatórios é outro exemplo: em vez de cortar despesas, o governo trocou juros altos por inflação controlada artificialmente, mascarando o calote e empurrando o problema para depois. O orçamento engessado em mais de 90% torna qualquer ajuste dramático quase impossível, e a conta será inevitavelmente paga pelos próximos governos e pelo cidadão comum.

O Brasil, portanto, enfrenta uma crise fiscal estrutural, amplificada por escolhas políticas de curto prazo. O dilema do próximo presidente é claro: enfrentar a realidade e cortar gastos, ou aceitar uma escalada de impostos, endividamento e risco de colapso. O país não pode mais adiar decisões — e o tempo para manobras já está se esgotando.

DESTAQUES