O governo de Alagoas iniciou a segunda etapa do Censo Estadual da População em Situação de Rua, agora incluindo o interior do estado, após a fase inicial em Maceió. O levantamento busca mapear com precisão o número de pessoas em situação de rua e compreender as causas que as levaram a essa condição.

Em Maceió, 1.453 pessoas já foram identificadas vivendo nas ruas — número que especialistas consideram subestimado, dada a dificuldade de localizar indivíduos em constante deslocamento.

A nova fase começou por Arapiraca, maior cidade do interior, e envolve equipes de assistentes sociais, psicólogos e pesquisadores. O objetivo é cobrir os 102 municípios até meados de 2026, fornecendo dados para políticas públicas mais eficientes, como habitação social, qualificação profissional e acompanhamento psicossocial.

Mas o levantamento também evidencia um problema estrutural profundo: as políticas públicas estatizantes perpetuam a pobreza e a dependência. Educação de base e técnica sucateada, infraestrutura capenga, livre iniciativa tolhida por excesso de regras e impostos, insegurança jurídica e demonização da produtividade criam um ciclo que empurra cada vez mais pessoas para a vulnerabilidade.

Entidades civis destacam que é necessário mudar o foco das políticas públicas, transformando o censo em ferramenta de ação contínua e não apenas em fotografia estática da pobreza. Atualmente, os abrigos em Maceió operam com mais de 90% da capacidade, e o fluxo de novos acolhimentos aumentou 37% desde 2022.

O censo, o primeiro desse tipo em escala estadual no Nordeste, deve servir de referência para outras unidades da federação, mas reforça uma lição clara: sem reformas estruturais que estimulem trabalho, produtividade e iniciativa privada, o assistencialismo estatal perpetua a dependência e a exclusão social.

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