O dado é simbólico e devastador: Alagoas tem hoje cerca de 533 mil famílias beneficiárias do Bolsa Família, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social. Em contrapartida, há aproximadamente 454 mil pessoas com carteira assinada no estado, conforme dados do CAGED. Ou seja, há mais cidadãos vivendo de programas assistenciais do que de emprego formal. O mais dramático é que desses 1.599 milhão de baneficiários, muitos deles, via de regra, estão em idade produtiva.
Em maio de 2025, o governo federal destinou R$ 360 milhões ao programa em Alagoas, com benefício médio de R$ 676,30 por família. Enquanto isso, o setor produtivo tenta reagir. Em agosto, o estado criou 2.803 novas vagas formais, mantendo um saldo positivo ao longo do ano — mas ainda insuficiente para reverter a dependência crescente da população em relação ao Estado.
Alagoas, um dos estados mais belos e desiguais do país, sintetiza a falência de um modelo que há décadas promete desenvolvimento, mas entrega dependência.
Por trás dos números está a raiz do problema: estatismo crônico, educação básica sucateada, formação técnica frágil e políticas públicas que premiam a dependência em vez do mérito e da autonomia.
Enquanto o Estado se agiganta, o cidadão encolhe. A máquina pública incha, mas o setor produtivo definha sob impostos, burocracia e falta de incentivo real à iniciativa privada. A escola, que deveria libertar, forma jovens despreparados para o trabalho e prontos para a tutela do governo.
O resultado é o que se vê: um povo trabalhador sem oportunidades, refém de benefícios que aliviam a fome, mas perpetuam a servidão. Em vez de emancipar, o poder público prefere controlar — e, de quebra, garantir o voto.
Alagoas não precisa de mais assistencialismo. Precisa de liberdade econômica, educação de base e uma política que enxergue o cidadão como protagonista, não como cliente do Estado.