O censo estadual da população em situação de rua, conduzido pelo Governo de Alagoas, identificou mais de 1.400 pessoas vivendo nas ruas apenas nas três principais cidades da Região Metropolitana — Maceió, Marechal Deodoro e Rio Largo. Os dados, ainda parciais, expõem um retrato alarmante de vulnerabilidade social e abandono estatal.

Embora o levantamento tenha caráter assistencial, os números evidenciam um colapso mais profundo, enraizado em décadas de políticas públicas voltadas para o assistencialismo de curto prazo, sem a contrapartida de investimentos estruturantes em educação básica, formação técnica e estímulo à produtividade.

Economistas e analistas ouvidos pelo Litoral destacam que Alagoas vive um ciclo vicioso de dependência estatal, resultado direto de um modelo estatista e patrimonialista que sufoca a livre iniciativa, desestimula o investimento privado e concentra poder político em torno do Estado. O excesso de regras, burocracia e carga tributária elevada tornam a criação de empregos formais quase inviável, empurrando milhares de cidadãos para a informalidade e, em última instância, para a exclusão social.

Outro ponto crítico é o sucateamento da educação de base. Escolas com infraestrutura precária, baixos índices de aprendizagem e a ausência de programas técnicos eficazes impedem o surgimento de uma mão de obra qualificada. A consequência é o travamento da produtividade e a perpetuação da miséria — uma realidade que o censo agora transforma em números oficiais.

Especialistas apontam que o problema da pobreza não está apenas na falta de assistência, mas na ausência de liberdade econômica e na dependência política criada por décadas de intervencionismo estatal. Sem romper esse ciclo, Alagoas seguirá alternando governos e slogans, mas sem transformar a realidade de seu povo.

DESTAQUES