A perseguição política no Brasil alcançou um novo patamar. O ex-presidente Jair Bolsonaro precisou pedir autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para participar da comemoração dos 15 anos de sua filha, Laura. O episódio, que em qualquer democracia seria apenas um momento familiar, tornou-se assunto judicial, simbolizando o nível de restrição imposto ao ex-chefe de Estado.
Desde que se tornou alvo de múltiplos inquéritos sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro vive sob um regime de controle inédito para um ex-presidente da República. Cada deslocamento, reunião ou aparição pública precisa ser previamente comunicada ou autorizada pela Justiça — um tratamento que, na visão de juristas e analistas políticos, extrapola os limites do devido processo legal.
O caso reacende o debate sobre o uso político das instituições e a assimetria no funcionamento do sistema judicial brasileiro. Enquanto figuras condenadas por corrupção ou ligadas a escândalos bilionários circulam livremente, quem representa uma força política rival enfrenta vigilância e censura.
Mais do que uma disputa entre poderes, o episódio reflete um país dividido e juridicamente desequilibrado, onde a liberdade de um ex-presidente para celebrar um momento familiar depende do aval de um magistrado. O Litoral observa: trata-se de um sintoma de um Brasil adoecido — em que a justiça, em vez de equilibrar o jogo democrático, parece servir como instrumento de intimidação.