Alagoas alcançou um marco inédito: pela primeira vez, o Estado obteve nota A no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal (QICF), divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O resultado representa um avanço técnico importante e coloca o Estado entre os 20 mais transparentes do país na prestação de contas públicas.

Segundo dados da STN, Alagoas atingiu 95,2% de conformidade nas verificações contábeis e fiscais, subindo posições em relação aos anos anteriores. O ranking avalia critérios como consistência das informações orçamentárias, cumprimento das normas contábeis, transparência de dados e confiabilidade nos registros de receitas e despesas.

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AL) atribui o resultado a medidas de modernização da gestão pública, como a padronização de procedimentos internos, a capacitação de servidores e o fortalecimento do Sistema Integrado de Administração Financeira e Contábil do Estado (Siafe). Segundo o órgão, a conquista é reflexo de um trabalho contínuo para aprimorar o controle fiscal e a transparência dos gastos.

Mas o bom desempenho técnico não apaga os desafios de fundo. Apesar da nota elevada em governança contábil, Alagoas ainda convive com fragilidades estruturais, como baixo investimento em infraestrutura, alta dependência de transferências federais e um endividamento crescente em municípios do interior. Especialistas alertam que o ranking mede a qualidade da informação, e não necessariamente a eficiência do gasto — um ponto crucial para o equilíbrio das contas públicas a longo prazo.

Na prática, o avanço representa mais credibilidade fiscal e maior capacidade de captar recursos, mas exige cautela: sem políticas sustentáveis de investimento e corte de desperdícios, o risco é transformar o reconhecimento técnico em mera vitrine administrativa.

O desafio agora é converter a transparência em eficiência — e a nota A em um verdadeiro equilíbrio fiscal que se reflita na vida do cidadão alagoano.

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