Governo quer afastar regra do arcabouço para aumentar gastos com pessoal e isenções em ano eleitoral
O governo federal estuda afrouxar o arcabouço fiscal — a regra criada para substituir o teto de gastos e conter o descontrole orçamentário — justamente para aumentar despesas com pessoal e ampliar isenções tributárias em 2026, ano de eleição.
Na prática, a proposta transforma o que deveria ser um instrumento de responsabilidade fiscal em uma ferramenta de conveniência política. O objetivo seria abrir espaço para reajustes salariais no funcionalismo e novos incentivos setoriais, em uma tentativa de aquecer artificialmente a economia antes do pleito.
O problema é que essa “generosidade” tem conta. O aumento de gastos sem lastro na arrecadação pressiona a dívida pública, desancora expectativas e eleva o custo do crédito. O resultado, como sempre, é inflação, juros altos e perda de confiança dos investidores.
A ironia é que o mesmo governo que prometeu “responsabilidade social com responsabilidade fiscal” agora parece disposto a romper com o próprio arcabouço que criou há pouco mais de um ano — tudo em nome de um ciclo clássico do populismo latino-americano: gastar mais hoje para pagar a conta amanhã.
Se a ideia é “deixar todo mundo rico” em 2026, o caminho escolhido é o de sempre: riqueza ilusória, inflação real e endividamento futuro. O milagre econômico do populismo dura até o próximo boletim do Tesouro Nacional.