A megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, deixou quatro agentes de segurança mortos — dois do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e dois da Polícia Civil — além de dezenas de suspeitos mortos e mais de 100 presos. A ação, batizada de Operação Contenção, mobilizou cerca de 2.500 policiais com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado.
Segundo informações do Palácio Guanabara, a operação começou na madrugada do dia 28 e segue em andamento. Durante os confrontos, criminosos incendiaram mais de 50 ônibus, bloquearam vias expressas como a Linha Amarela e a Avenida Brasil, e chegaram a usar drones com explosivos contra as forças policiais. A situação levou o governo a decretar alerta máximo, convocando inclusive servidores administrativos da Polícia Militar.
As universidades UFRJ e UERJ suspenderam as aulas, e o transporte público foi parcialmente interrompido em diversos pontos da capital. Especialistas em segurança pública destacam que, embora a ação seja uma resposta necessária ao avanço do crime organizado, ela também revela o fracasso do Estado em ocupar de forma permanente as áreas dominadas pelo tráfico e oferecer alternativas sociais à população. A violência no Rio, mais uma vez, expõe a fragilidade estrutural da segurança pública brasileira, que alterna entre momentos de enfrentamento intenso e longos períodos de ausência estatal.