Celebrado em 2 de novembro, o Dia de Finados é uma das datas mais tradicionais do calendário cristão e foi instituído para prestar homenagem aos que já morreram. No Brasil, a data é feriado nacional desde a Lei nº 10.607, de 2002, e é marcada por visitas a cemitérios, missas e manifestações religiosas em todo o país.
A origem remonta ao século XI, quando o monge francês Odilo de Cluny, abade da Abadia de Cluny, determinou que nesse dia fossem realizadas orações pelos fiéis falecidos. A prática, inicialmente restrita aos mosteiros beneditinos, se espalhou rapidamente pela Europa e foi posteriormente incorporada ao calendário oficial da Igreja Católica.
Quem foi Odilo de Cluny
Nascido em 962, na região de Auvergne, na França, Odilo de Cluny foi o quinto abade da influente Abadia de Cluny, centro espiritual e reformador da Igreja na Idade Média. Conhecido por sua piedade e dedicação à oração pelos mortos e pelos pobres, Odilo foi um dos principais responsáveis por fortalecer a espiritualidade monástica no Ocidente.
Durante seu governo, Cluny se tornou referência em disciplina religiosa e devoção, influenciando centenas de mosteiros em toda a Europa. Ele faleceu em 1049 e foi posteriormente canonizado pela Igreja Católica.
A escolha do dia 2 de novembro está relacionada ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro, dedicado àqueles que já alcançaram a salvação eterna. Assim, o dia seguinte foi reservado à memória dos que ainda estariam em purificação espiritual, simbolizando fé, esperança e continuidade da vida.
Com o passar dos séculos, o Dia de Finados ganhou diferentes expressões culturais. No México, é celebrado com cores, música e oferendas, sendo reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural imaterial da humanidade. No Brasil, mantém um tom mais reflexivo e silencioso, marcado por homenagens, flores e orações.
Mais do que um ritual religioso, o feriado convida à reflexão sobre a finitude e o valor da memória. Para muitos, é um momento de reafirmar laços afetivos e espirituais, lembrando que a saudade também é uma forma de presença.