O brasileiro Symon Castro, réu pelos atos de 8 de janeiro e atualmente exilado na Argentina, interrompeu um debate com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, nesta quarta-feira (6), durante um evento jurídico em Buenos Aires.

Em meio à fala do ministro, Castro se levantou e afirmou:

“O senhor tem feito um bom papel. Mas Alexandre de Moraes acusa outros que estão aqui no nosso meio de 14 a 17 anos de prisão sem nem ter prova de que entraram dentro dos prédios.”

O episódio ocorreu durante uma conferência que discutia o papel das instituições democráticas na América Latina. A intervenção surpreendeu os presentes e foi rapidamente contida pela segurança.

Gilmar Mendes manteve a postura e não respondeu diretamente à provocação, limitando-se a seguir com sua exposição. O ministro é um dos principais nomes do Supremo na defesa das decisões tomadas após os eventos de 8 de janeiro, que resultaram em centenas de prisões e condenações — muitas delas ainda alvo de questionamentos sobre a falta de provas individualizadas.

Symon Castro, que vive na Argentina desde o início de 2023, se apresenta como perseguido político e critica publicamente o que chama de “excessos” do Judiciário brasileiro. Nas redes sociais, o vídeo da interrupção se espalhou rapidamente, reacendendo o debate sobre liberdade de expressão, devido processo legal e os limites da Justiça no pós-8 de janeiro.

Para analistas, o episódio expõe o contraste entre a narrativa institucional de “defesa da democracia” e as denúncias de abuso e desequilíbrio de poder que se multiplicam desde então.

A cena, em pleno exterior, mostra que o tema do 8 de janeiro continua extrapolando fronteiras — e segue dividindo não apenas o Brasil, mas também o olhar internacional sobre a condução da Justiça no país.

DESTAQUES