Um levantamento recente do Instituto Trata Brasil revelou que 91% da população do Pará não possui acesso à coleta de esgoto, colocando o estado entre os piores do país em saneamento básico. Os dados acendem um alerta especialmente neste momento em que Belém se prepara para sediar a COP30, em 2025.
Segundo o estudo, apenas uma pequena parcela dos paraenses é atendida por redes formais de esgotamento sanitário. A maior parte dos resíduos é descartada de forma inadequada, afetando diretamente a saúde pública, a qualidade da água e o meio ambiente.
Belém, capital do estado e sede da conferência climática da ONU, também enfrenta desafios estruturais. O abastecimento de água tratada é irregular em diversos bairros, e os índices de tratamento de esgoto permanecem abaixo da média nacional.
Especialistas em saneamento afirmam que a falta de investimento contínuo e a ausência de políticas públicas eficazes ao longo de décadas contribuíram para o cenário atual. O déficit, segundo eles, compromete metas ambientais e de saúde, além de criar contradições para um estado que sediará um dos maiores eventos climáticos do mundo.
O Instituto Trata Brasil reforça que o avanço em saneamento depende de prioridade política, planejamento e execução de obras estruturantes — fatores que ainda caminham lentamente no Pará.