O endividamento das famílias maceioenses atingiu níveis críticos em 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a CNC. Em junho, 80,8% das famílias estavam endividadas — o maior índice desde 2024. A inadimplência também permanece alta, alcançando 40,3%, consolidando um quadro de fragilidade financeira que se agrava mês após mês. Os dados mostram que o crédito, antes ferramenta de consumo, passou a ser utilizado para despesas básicas, reflexo de uma economia pressionada pela inflação e pelos juros elevados.

Na comparação anual, o salto é ainda mais preocupante: em junho de 2024, 67,1% das famílias estavam endividadas; hoje, o índice supera 80%, evidenciando um avanço de mais de 20 pontos percentuais em apenas um ano. A renda apertada, aliada ao aumento do custo de vida, empurra os consumidores para empréstimos e cartões de crédito — justamente as modalidades que cobram os juros mais altos. Com isso, cresce o número de famílias que não conseguem manter as contas em dia, e a inadimplência se transforma em uma bola de neve difícil de reverter.

O estudo também indica que o endividamento avança mais rápido do que o consumo, sinal de que os maceioenses estão recorrendo ao crédito não por expansão financeira, mas por necessidade. A maior parte das dívidas se concentra no cartão de crédito, que responde por quase 100% dos casos, tornando-se o principal vilão do orçamento doméstico. O resultado é um cenário em que a maioria das famílias vive no limite e uma parcela significativa já ultrapassou esse limite, revelando uma crise silenciosa, profunda e que exige atenção urgente das autoridades e do setor financeiro.

DESTAQUES