A tentativa de um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) de interferir em uma decisão técnica do Banco Central para travar a liquidação de um banco envolvido em escândalos bilionários acende um alerta grave sobre os limites institucionais no país. Não se trata de divergência jurídica ou debate regulatório legítimo, mas de pressão política direta sobre um órgão técnico responsável pela estabilidade do sistema financeiro. Quando interesses políticos passam a disputar espaço com critérios técnicos, o risco deixa de ser abstrato e passa a atingir o bolso do cidadão.

A história econômica brasileira é clara: sempre que a política invade o sistema financeiro, os efeitos são imediatos e perversos. O crédito encolhe, os juros sobem, a confiança desaparece. Bancos menores, mais vulneráveis, são os primeiros a cair, reduzindo a concorrência e fortalecendo ainda mais os grandes conglomerados. O resultado é um mercado menos eficiente, mais concentrado e mais caro — pago, inevitavelmente, pelo trabalhador, pelo empreendedor e pelo consumidor.

O episódio também reforça a importância da independência formal do Banco Central, aprovada durante o governo Bolsonaro, sob liderança do então ministro Paulo Guedes. Sem esse marco institucional, decisões sensíveis como essa estariam hoje diretamente subordinadas ao Palácio do Planalto. Ideologias podem render discursos inflamados e aplausos momentâneos, mas é a responsabilidade institucional que protege a economia, preserva a confiança e evita que o país volte a flertar com aventuras que já custaram caro demais ao Brasil.

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