O Irã presidirá, neste mês, um fórum ligado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, decisão que tem provocado críticas de entidades e analistas internacionais. O país é alvo recorrente de denúncias por violações de direitos humanos, incluindo a atuação da chamada “polícia da moral”, responsável por punir mulheres que não seguem rigorosamente normas religiosas, como o uso obrigatório do véu.

A escolha reacende questionamentos sobre a credibilidade dos organismos multilaterais responsáveis por zelar pelos direitos fundamentais. O regime iraniano acumula histórico de repressão a opositores políticos, restrições severas à liberdade de expressão e punições a mulheres por comportamentos considerados incompatíveis com a lei islâmica — práticas que contrastam frontalmente com os princípios que o fórum afirma defender.

Para críticos, o episódio evidencia uma seletividade política no discurso de parte da esquerda internacional, que costuma condenar abusos de forma desigual, relativizando violações quando praticadas por regimes ideologicamente alinhados. Nesse contexto, pautas como feminismo e defesa de minorias seriam utilizadas como instrumentos políticos, perdendo centralidade quando passam a constranger aliados estratégicos.

A controvérsia reforça uma crítica recorrente ao sistema internacional de direitos humanos: a distância entre retórica e prática. A situação ilustra a percepção de que, muitas vezes, princípios universais acabam subordinados a interesses políticos, comprometendo a legitimidade das instituições que deveriam protegê-los.

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