A exoneração de uma servidora do IBGE com mais de 40 anos de atuação no órgão provocou forte reação e levantou questionamentos sobre possível motivação política. A funcionária havia denunciado, no ano passado, o uso de dados oficiais em publicações institucionais com viés de propaganda governamental, o que, segundo ela, contraria as boas práticas técnicas e a neutralidade histórica do instituto.
Embora o governo afirme que se trata de um ato administrativo regular, o contexto da exoneração chama atenção. A demissão ocorre após a servidora expor publicamente preocupações sobre o uso político de informações estatísticas, o que reforça a percepção de retaliação contra quem questiona a instrumentalização do Estado para fins de mandato.
O episódio reacende o debate sobre autonomia técnica, liberdade funcional e aparelhamento de instituições públicas. Críticos alertam que, se há tentativas de controlar ou constranger a sociedade civil e a imprensa, o risco de silenciamento dentro da própria máquina pública — onde servidores são hierarquicamente subordinados ao Executivo — torna-se ainda mais preocupante.