A eleição presidencial em Portugal foi marcada por um dado que chama atenção: cerca de metade do eleitorado não compareceu às urnas no segundo turno. A elevada abstenção reacende o debate sobre o distanciamento dos cidadãos da política e os impactos dessa ausência na legitimidade democrática, especialmente em momentos decisivos do calendário eleitoral.
Com menor participação popular, o Partido Socialista acabou conquistando a presidência, ampliando sua presença institucional no país. Analistas apontam que, embora o resultado seja legítimo dentro das regras eleitorais, a baixa mobilização pode indicar desgaste do interesse político ou sensação de previsibilidade do pleito — fatores que costumam preocupar estudiosos da democracia representativa.
Ainda assim, o sistema político português limita o poder do presidente. Em Portugal, quem exerce a condução direta do governo é o primeiro-ministro, escolhido a partir da maioria parlamentar. O presidente atua mais como moderador institucional, com funções de arbitragem e fiscalização, o que reduz o impacto prático imediato da eleição sobre a gestão cotidiana do país.