O programador e empresário John McAfee ficou conhecido mundialmente por criar um dos primeiros antivírus amplamente utilizados em computadores pessoais, mas sua trajetória acabou marcada por episódios controversos, disputas legais e uma vida pública excêntrica que o transformaram em um dos personagens mais curiosos da história recente da tecnologia.
Nascido em 1945, no Reino Unido, McAfee cresceu nos Estados Unidos e demonstrou desde cedo grande talento para a programação. Durante a juventude enfrentou um trauma familiar ao encontrar o pai morto por suicídio, episódio que ele próprio relatou como profundamente marcante. Ao longo das décadas seguintes, trabalhou como engenheiro de software em empresas de tecnologia e defesa, incluindo a Lockheed Martin, além de atuar em projetos ligados ao setor aeroespacial.
Sua grande virada ocorreu no fim dos anos 1980, quando começaram a surgir os primeiros vírus de computador. Percebendo o potencial do novo mercado, McAfee fundou a McAfee Associates e lançou o McAfee Antivirus, um dos primeiros programas voltados à proteção de computadores pessoais. O software foi inicialmente distribuído no modelo shareware, permitindo que usuários testassem gratuitamente o produto, estratégia que contribuiu para sua rápida disseminação em empresas e organizações ao redor do mundo.
O sucesso do antivírus transformou McAfee em multimilionário e colocou seu nome entre os pioneiros da indústria de segurança digital. No entanto, após vender sua participação na empresa nos anos 1990, ele passou a adotar um estilo de vida cada vez mais excêntrico, afastando-se do ambiente corporativo tradicional.
Nos anos 2000, mudou-se para Belize, onde passou a desenvolver projetos pessoais e viver sob forte esquema de segurança. Em 2012, tornou-se personagem de um episódio internacional após a morte de seu vizinho, Gregory Faull. McAfee chegou a ser considerado pessoa de interesse pelas autoridades locais, negou envolvimento e deixou o país, iniciando um período de viagens e disputas judiciais.
Posteriormente, envolveu-se no universo das criptomoedas e passou a defender ideias libertárias, chegando a disputar a indicação presidencial do Partido Libertário dos Estados Unidos. Em seus discursos, defendia forte proteção à privacidade digital, redução da intervenção estatal e liberdade individual ampliada.
Em 2020, McAfee foi preso na Espanha após pedido de extradição das autoridades dos Estados Unidos, que o acusavam de sonegação fiscal. Em junho de 2021, pouco depois de a Justiça espanhola autorizar sua extradição, ele foi encontrado morto em sua cela em Barcelona. A morte foi classificada oficialmente como suicídio.
Entre inovação tecnológica, controvérsias e episódios dignos de um thriller internacional, John McAfee deixou um legado ambíguo: foi ao mesmo tempo um pioneiro da segurança digital e uma das figuras mais imprevisíveis já surgidas no universo da tecnologia.