A recente declaração de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de recompra de refinarias privatizadas revela uma confusão conceitual perigosa: a ideia de que soberania nacional se confunde com controle estatal direto. Um país não se torna mais soberano porque o Estado é dono de empresas, mas sim quando possui instituições sólidas, segurança jurídica e um ambiente econômico livre, competitivo e previsível.
A privatização de ativos no setor de refino teve como objetivo ampliar a concorrência, reduzir a concentração da Petrobras e atrair investimentos privados. Ao sinalizar que pode reverter essas operações, o governo envia um recado negativo ao mercado: contratos podem ser revistos conforme a vontade política do momento. Esse tipo de instabilidade afasta investidores, reduz a confiança e compromete o crescimento econômico — com reflexos diretos no bolso do consumidor.
Além disso, a recompra de empresas com recursos públicos representa, na prática, uma escolha de prioridades questionável. Trata-se de direcionar dinheiro do contribuinte para expandir o tamanho do Estado, em vez de fortalecer áreas essenciais como saúde, educação e segurança. Não há garantia de maior eficiência — ao contrário, a experiência histórica mostra que empresas estatais tendem a ser mais suscetíveis à interferência política e à má alocação de recursos.
Soberania não é o Estado controlar tudo. Soberania é ter uma economia que funcione, que gere oportunidades, que atraia investimentos e que permita ao cidadão viver melhor. Reestatizar não é fortalecer o país — é insistir em um modelo que já demonstrou suas limitações.