Quem não deve, não teme investigação. É por isso que a CPI do Banco Master precisa ser instalada sem acordos de bastidores, sem filtros e sem blindagens políticas. O Brasil já está cansado de escândalos tratados parcialmente, onde apenas trechos convenientes aparecem ao público enquanto os verdadeiros interesses seguem protegidos. O país não precisa de vazamentos seletivos; precisa da caixa-preta completamente aberta.

O comportamento de parte do PT e do Centrão revela uma contradição evidente. Em público, discursos inflamados defendem transparência, responsabilização e investigação rigorosa. Nos bastidores, porém, a movimentação parece seguir em direção oposta: articulações para esvaziar a CPI, limitar seu alcance ou transformá-la em mais um espetáculo político controlado. A sociedade percebe quando há mais encenação do que disposição real para esclarecer os fatos.

Uma democracia séria exige investigações amplas, acesso irrestrito às informações e independência para apurar responsabilidades, independentemente de quem seja atingido. Se existem irregularidades, que sejam expostas. Se não existem, que tudo venha à luz para encerrar suspeitas. O que não é aceitável é transformar a verdade em moeda de conveniência política.

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