O Brasil tinha 11,3 milhões de domicílios em que a pessoa de referência era uma mãe solo no quarto trimestre de 2022, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O número representa um crescimento de 1,7 milhão em dez anos, passando de 9,6 milhões, em 2012, para 11,3 milhões em 2022. No mesmo período, a proporção desses domicílios passou de 15,3% para 14,9% do total.

O levantamento também revela desafios econômicos importantes. Entre as mães solo de 15 a 60 anos, 29,4% estavam fora da força de trabalho, 7,2% estavam desempregadas e 63,3% estavam ocupadas no quarto trimestre de 2022. Entre aquelas com filhos de até cinco anos, os percentuais de inatividade e desemprego eram ainda maiores. Cerca de 45% das mães solo ocupadas estavam na informalidade, enquanto o rendimento médio do trabalho era 39% inferior ao dos homens casados com filhos.

Os dados do Censo 2022 do IBGE confirmam a dimensão da transformação dos arranjos familiares: havia cerca de 7,8 milhões de mulheres sem cônjuge vivendo com filhos, equivalentes a 13,5% das famílias brasileiras. O número evidencia uma mudança relevante na estrutura familiar e coloca questões como educação, qualificação profissional, acesso ao trabalho, creches e rede de apoio no centro do debate sobre as condições econômicas dessas famílias.

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