“Imagina você, CLT, gastar o seu único domingo de folga para ir votar em um cara que é contra o fim da escala 6×1.” Foi rolando pelos stories que li essa pérola. A frase parece espirituosa, até virtuosa, mas parte de uma premissa equivocada: a de que o trabalhador deveria escolher seu candidato exclusivamente pela promessa de transformar a escala 6×1 em 5×2. Como se algo dessa complexidade fosse um capricho, e não uma escolha que envolve consequências. Afinal, duvido que exista alguém neste país que não prefira uma jornada que lhe permita mais tempo para a família, o descanso e o lazer. O problema é que a mesma turma que acredita que tudo se resolve na canetada é, indubitavelmente, a que defende um modelo econômico que condenou a manter o país preso ao baixo crescimento, à burocracia e à baixa produtividade.

O Brasil não ficou estagnado economicamente por acaso. Há décadas acumulamos um ambiente marcado por burocracia, complexidade tributária, barreiras à concorrência, insegurança regulatória e elevado custo para produzir e contratar. A OCDE aponta que o país ainda enfrenta desafios de produtividade e que a redução de barreiras regulatórias e o fortalecimento da concorrência poderiam contribuir para elevar a produtividade e o crescimento. Não por acaso, o Brasil ocupa a 134ª posição entre 184 economias no Índice de Liberdade Econômica 2026, da Heritage Foundation, com 52,4 pontos, sendo classificado como “majoritariamente não livre”. Uma sociedade só consegue trabalhar menos e preservar renda, empregos e empresas de forma sustentável quando consegue produzir mais por hora trabalhada. É essa conta que precisa ser enfrentada.

Por isso, talvez o trabalhador que passe o domingo na fila para votar em um candidato da direita esteja justamente pensando no longo prazo. Em vez de perguntar apenas “quem promete me dar dois dias de folga?”, ele pode perguntar: “Quem pretende atacar as condições econômicas que tornam caro, arriscado e pouco produtivo empregar no Brasil?” Menos burocracia, regras mais claras, ambiente favorável à concorrência, redução de custos que não agregam produtividade, qualificação profissional, investimento e maior liberdade para que trabalhadores e empregadores encontrem acordos adequados podem ampliar, no futuro, o espaço para jornadas mais flexíveis. A pergunta-chave é: quem pretende atacar a raiz do problema, e não apenas os sintomas? É o candidato da esquerda ou da direita?

No fundo, essa é uma discussão sobre causa e consequência. É possível defender o fim da escala 6×1 por lei, atacando diretamente essa questão. Outra visão é buscar primeiro as condições econômicas que permitam jornadas melhores sem destruir empregos, reduzir o consumo ou inviabilizar pequenos negócios. E aqui está a ironia: uma política pode prometer combater os efeitos de um problema enquanto preserva – ou até amplia – as estruturas que dificultam sua solução. Tenho dito: toda política de Lula e do PT consiste em fomentar os problemas que fingem combater. Este é só mais um exemplo entre tantos. Se queremos que o trabalhador brasileiro tenha, de forma sustentável, mais tempo para a família, o lazer e a própria vida, ligue a seta para a direita. Conscientemente!

Jeno Oliveira
Jornalista

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