Governo Lula admite falta de dinheiro para manter políticas atuais a partir de 2028
Foto: Wilton Junior / Estadão

O governo Lula admitiu, na mensagem enviada ao Congresso com o projeto de Orçamento de 2027, que não haverá dinheiro para manter as políticas públicas atuais a partir de 2028 dentro do limite do arcabouço fiscal. Segundo o Estadão, a diferença entre o custo dessas políticas e o espaço disponível é de R$ 15,8 bilhões em 2028, R$ 14,9 bilhões em 2029 e R$ 23 bilhões em 2030. A conta foi feita em agosto e não inclui as promessas de campanha do presidente, que disputa a reeleição.

Pelos números do projeto, publicados pela Folhapress, o custo informado pelos órgãos em 2028 chega a R$ 224,2 bilhões, contra R$ 208,4 bilhões de espaço para as despesas discricionárias. Até 2030, o governo precisa rever ao menos R$ 53,7 bilhões em gastos obrigatórios, valor que pode subir a R$ 63,6 bilhões com o espaço extra para o piso da saúde. O texto pede “esforço contido e estável”. O Ministério do Planejamento e Orçamento disse que os números “devem ser lidos com cautela” e que a diferença não indica descumprimento do arcabouço.

O mesmo projeto prevê crescimento de 2,5% do PIB em 2027, acima da mediana de 1,43% esperada pelo mercado em setembro, e superávit de R$ 18,6 bilhões, enquanto o Prisma Fiscal projeta déficit de R$ 45,4 bilhões. As consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado pediram “cautela na análise do PLOA” por causa dessas premissas. O mercado cobra a revisão das vinculações obrigatórias de gastos, que Lula descarta.

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