Preço do café torrado e moído salta de R$ 16,78 para R$ 66,70 por quilo. Alta reflete custos agrícolas, impostos e a falta de competitividade da economia brasileira.

O café, símbolo da mesa brasileira, virou também um retrato da inflação e da perda de poder de compra no país.
De acordo com levantamento da Gazeta do Povo, o preço médio do café torrado e moído no varejo saltou de R$ 16,78 em 2020 para R$ 66,70 em 2025 — uma alta próxima de 300% em apenas cinco anos.

Segundo economistas, o aumento é resultado de uma combinação de fatores: desvalorização cambial, custos agrícolas elevados, impostos sobre transporte e energia, além da falta de investimentos em infraestrutura e produtividade.

Em muitas cidades, o quilo do café ultrapassou R$ 80 nas marcas premium. Mesmo as versões tradicionais sofreram reajustes acima da inflação oficial. Em Maceió, por exemplo, o Procon Municipal registrou alta de 13,4% apenas em fevereiro de 2025.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que o país enfrenta entraves estruturais que agravam a escalada de preços: alta carga tributária, burocracia excessiva e baixa competitividade.
Enquanto isso, o Brasil segue entre os emergentes que menos crescem, com taxa média anual de apenas 0,5% entre 2013 e 2022, frente a 4,1% da média mundial, segundo o FERI Country Forecast (feri.de).

O café, antes símbolo de fartura, agora se tornou indicador do peso do Estado sobre a economia e do empobrecimento silencioso do trabalhador brasileiro.

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