As ações de empresas argentinas listadas em Nova York registraram forte alta nesta segunda-feira (27), em resposta à vitória de Javier Milei nas eleições presidenciais. O movimento reflete o otimismo dos investidores com a promessa de reformas econômicas liberais e redução da intervenção estatal.

O índice S&P Merval, principal da Bolsa de Buenos Aires, subiu mais de 20% no início do pregão. Entre os destaques, estão os papéis do Banco Supervielle, que avançaram cerca de 48%, Banco Macro (+36%), Pampa Energía (+26%) e YPF, estatal de petróleo, que valorizou 24%.

Analistas internacionais afirmam que o resultado eleitoral representa um divisor de águas para o mercado argentino, que há anos convive com inflação descontrolada, déficits fiscais recorrentes e forte desvalorização cambial. As expectativas se voltam agora para a composição do gabinete e para a viabilidade política das medidas prometidas, como a dolarização da economia e o enxugamento do setor público.

Economistas, no entanto, ponderam que o otimismo dos investidores deve ser visto com cautela, já que as reformas propostas dependem de aprovação no Congresso e podem enfrentar resistência de setores tradicionais da política argentina.

O resultado contrasta com o cenário brasileiro, onde a política econômica tem provocado preocupações sobre aumento de gastos públicos e retração de investimentos. Enquanto os mercados argentinos reagem com entusiasmo, o Brasil registra sinais de desaceleração nas exportações e perda de confiança empresarial.

Com a reação positiva nas bolsas e aumento do interesse de investidores estrangeiros, a vitória de Javier Milei reforça uma tendência recente na América Latina: a busca por alternativas econômicas liberais diante do esgotamento dos modelos estatistas tradicionais.

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