O advogado e jurista alagoano Adriano Soares da Costa publicou um texto contundente nas redes sociais criticando o jornalista Reinaldo Azevedo e o que chamou de “imprensa militante” no Brasil. No texto, Adriano relembra o início da carreira de Azevedo como articulista conservador e acusa o jornalista de ter “traído tudo o que escreveu” ao adotar, segundo ele, posições opostas às que defendia no passado.
Adriano destacou que, no início dos anos 2000, Reinaldo se notabilizou por sua “qualidade argumentativa” e pelas críticas severas ao lulopetismo, com textos que chamavam atenção pelo rigor intelectual e pela defesa de valores conservadores. No entanto, afirma que o jornalista teria se afastado desses princípios, tornando-se símbolo de uma “imprensa tomada pela militância ideológica”.
“Reinaldo Azevedo é um caso de impostura intelectual como não houve outro na imprensa brasileira”, escreveu o advogado. Ele citou trechos de artigos antigos do jornalista — publicados na época em que integrava o portal da Veja — para ilustrar a contradição entre o passado e o presente de Azevedo.
No texto, Adriano afirma ainda sentir “asco” ao ver vídeos recentes do comentarista e conclui dizendo que o episódio serve de exemplo para “o desastre que é a nossa imprensa, cujas redes sociais expõem todos os dias”.
O texto, que circula amplamente nas redes sociais, reacendeu o debate sobre a postura da mídia e o papel dos jornalistas na formação da opinião pública brasileira.
Leia o texto na íntegra:
Reinaldo Azevedo é um caso de impostura intelectual como não houve outro na imprensa brasileira. Quem o leu tão logo lançou o seu blog, antes mesmo de ser contratado pelo portal da Veja, ficou impressionado com a qualidade argumentativa das análises, o português rico e gramaticalmente terso, com uma posição conservadora inteligente, indicação de obras de qualidade e crítica demolidora ao lulopetismo, com referências ao Apedeuta e aos Petralhas.
Desconstruiu “intelectuais” da esquerda como Marilena Chauí e Emir Sader – cujas (ausência de) ideias foram apelidadas de Emirados Sáderes. E essa postura crítica e bem estruturada intelectualmente contra a ideologia rasa da esquerda o fez um nome conhecido e reconhecido.
Em um dos seus textos interessantes da época de Veja, escreveu ele: “Ainda que os petistas não tentassem impor uma única lei autoritária — e eles tentam; ainda que este fosse um governo que se dedicasse à aplicação inclemente das leis democráticas — e ele não é; ainda que o PT fosse um partido que não soubesse distinguir adversários de aliados na arbitragem de questões legais — e ele sabe; ainda assim, essa gente seria deletéria porque se pretende monopolista do bem e sataniza os adversários como meros sabotadores desse bem que ela encarnaria.” E mais adiante, sobre a imprensa: “A questão é de valores. E a imprensa brasileira está, em boa parte, tomada pela militância e por sua ‘corrosão de caráter’, para recorrer a uma imagem que o professor Roberto Romano empregou” (texto de 31 jul 2020).
Bem, confesso não ler mais os textos, não porque sejam hoje de esquerda, mas porque ele traiu tudo o que escreveu, defendendo absolutamente tudo o que criticava, de modo que é impossível conciliar integridade intelectual com negação de tudo o que se escreveu no passado sobre questões inclusive de caráter das pessoas e do modo de ser de partidos políticos e grupos.
Dá-me certo asco sempre que passa um vídeo dele em minha timeline, que algum desavisado ainda perde tempo publicando para criticar. Reinaldo é alguém para ser esquecido, embora esse texto pareça fazer o inverso, em uma contradição lógica. Todavia, não é propriamente sobre esse personagem que escrevo; uso-o como exemplo do desastre que é a nossa imprensa, cujas redes sociais expõe todos os dias. Enfim, é sobre as decepções de um tempo em que as máscaras de tantos caíram…