Nordeste: queda na aprovação e os desafios da escolaridade e da renda
Uma série de pesquisas divulgadas em 2025 revela que o Nordeste, região historicamente mais favorável ao governo Lula, está mostrando sinais de desgaste. O levantamento do IBESPE de início de setembro aponta que a aprovação caiu de 54,9% em junho para 49,9% neste mês, enquanto a reprovação subiu de 33,8% para 36,3%. GP1+1
Escolaridade e perfil socioeconômico: raízes do comportamento eleitoral
- Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há uma melhora gradual no perfil de escolaridade do eleitorado nordestino: em 2018, cerca de 48% dos eleitores tinham escolaridade baixa (não haviam completado o ensino fundamental); em 2022, esse percentual caiu para 42,8%. Agência Tatu+1
- A porcentagem de cidadãos que completaram ao menos o ensino fundamental aumentou de 51,9% para 57,2% no mesmo período. Agência Tatu+1
- As pesquisas apontam correlação clara: eleitores com escolaridade mais baixa (ensino fundamental incompleto ou somente fundamental completo) tendem a aprovar mais o governo; quanto maior a escolaridade, maior a reprovação.
Renda, expectativas e insatisfação
- Eleitores de renda até 1 salário mínimo projetam aprovação mais alta do governo, enquanto os de renda mais elevada são mais críticos.
- O Nordeste sofre com limitações estruturais: economia informal elevada, escassez de empregos qualificados, educação básica e técnica ainda defasadas, infraestrutura precária. Essas condições moldam um eleitorado mais dependente de políticas assistenciais e com menor acesso a informações, o que explica certa estabilidade de apoio, mesmo com queda.
O ciclo de dependência e o desgaste político
A combinação de escolaridade baixa ou mediana, limitações econômicas e tradição de programas sociais gera um ciclo de dependência. Isso torna o eleitor mais sensível a rupturas na oferta de benefícios e às dificuldades do cotidiano — inflação, desemprego, falhas em serviços públicos — o que amplifica a insatisfação quando ela se manifesta.
Nesse contexto, a queda de aprovação no Nordeste sinaliza dois fenômenos:
- Que o apoio, antes estável, pode começar a ruir quando expectativas não são atendidas.
- Que o governo precisa ir além do assistencialismo: oferecer progresso real, oportunidades de emprego, melhoria de educação e infraestrutura.