Um artigo de opinião publicado no Wall Street Journal reacendeu o debate sobre o atual funcionamento das instituições brasileiras. A colunista Mary Anastasia O’Grady, uma das vozes mais influentes do jornal, afirmou que o país vive um “golpe de Estado na Suprema Corte”, atribuindo ao ministro Alexandre de Moraes um poder “sem limites e sem freios”, distinto dos parâmetros do modelo democrático tradicional.

O texto — que ganhou grande repercussão internacional — descreve um Brasil “afastado da normalidade institucional”, apontando que o STF teria assumido funções que ultrapassam o papel constitucional.

Comparações com a Venezuela

O’Grady compara a atuação da Corte brasileira à estratégia usada por Hugo Chávez na Venezuela, baseada em quatro eixos: controle das instituições, concentração de poder, eliminação de opositores e uso da retórica da defesa da democracia para justificar medidas de exceção.

Segundo ela, os inquéritos das “fake news” e das supostas “milícias digitais” teriam se transformado em instrumentos de perseguição política, nos quais o ministro acumula papéis de investigador, acusador e julgador — uma estrutura incompatível com garantias fundamentais.

Críticas a prisões preventivas e decisões monocráticas

A colunista menciona ainda o uso recorrente de:

  • censura de conteúdo,
  • prisões preventivas prolongadas,
  • decisões monocráticas com efeitos nacionais,
  • e “velocidade seletiva” nas decisões: rápida quando o alvo é conservador, lenta quando envolve aliados do governo.

Para o artigo, “a democracia brasileira se tornou dependente do humor de um ministro”, e não do equilíbrio institucional previsto pela Constituição.

Reação do STF

Após a repercussão internacional, o Supremo Tribunal Federal divulgou nota defendendo a legalidade de seus atos e afirmando que as decisões seguem o devido processo legal. A Corte não comentou diretamente a comparação com regimes autoritários.

Crise de imagem internacional

A necessidade de posicionamento do STF gerou preocupação em Brasília. Especialistas apontam que críticas vindas de veículos globais — como o Wall Street Journal, um dos jornais mais influentes do mundo — indicam que a crise institucional brasileira ultrapassou fronteiras.

O artigo encerra com uma pergunta que tem ecoado no debate público:
O Brasil ainda vive sob a Constituição — ou sob a vontade de um único ministro?

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