O ministro Luís Roberto Barroso sempre se apresentou como símbolo da “nova esquerda ilustrada”: progressista, internacionalista, crítico do “imperialismo americano” e defensor da “soberania nacional”. Mas bastou o visto norte-americano ser suspenso para que o discurso de independência cedesse lugar a um gesto prático — entregar o cargo no STF.

É o retrato mais fiel da contradição que domina parte da elite política e intelectual brasileira: grita-se contra o imperialismo do Ocidente, mas sonha-se com férias em Miami. Fala-se em soberania, mas se a fronteira americana fecha, o “antiamericanismo” vira apenas retórica de auditório.

Barroso, que tantas vezes denunciou o “autoritarismo da direita”, deixa a Corte justamente sob suspeita de censurar vozes conservadoras e politizar decisões judiciais. O mesmo ministro que dizia defender a democracia “contra o ódio e as “fakes news” foi acusado de restringir liberdades, bloquear perfis e interferir no debate público.

Agora, sua saída ocorre não por convicção, mas por conveniência. É a síntese perfeita de um tempo em que o discurso moral se desfaz diante do privilégio ameaçado.

Enquanto o país tenta discutir soberania, independência institucional e liberdade de expressão, a verdade é que quem mais grita por soberania é, muitas vezes, quem mais depende do aplauso estrangeiro. E nesse teatro de vaidades e contradições, o Brasil continua sendo o palco — e nunca o protagonista.

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