O ministro Luís Roberto Barroso encerrou sua carreira no Supremo Tribunal Federal (STF) com declarações que geraram ampla repercussão política. Em seu discurso de despedida, Barroso afirmou ter “derrotado o bolsonarismo” e reconheceu que, “sem a ajuda dos democratas dos EUA e do governo Biden”, não teria sido possível “manter a democracia no Brasil” — declaração que coincidiu com o retorno de Lula ao poder.
A trajetória de Barroso no Judiciário é marcada por episódios polêmicos, entre eles sua defesa do italiano Cesare Battisti, condenado por terrorismo e assassinatos em seu país. O episódio volta à tona no momento em que o ministro se despede do cargo deixando um legado de forte atuação política e decisões que dividiram o país.
Para críticos, há uma contradição simbólica: quem um dia defendeu um condenado por terrorismo, encerra a carreira classificando brasileiros como “terroristas” em investigações ainda sem julgamento definitivo — o que, segundo juristas e familiares, tem destruído vidas e gerado sensação de insegurança jurídica.
Barroso, que presidiu a Corte durante momentos de tensão institucional, deixa o STF enquanto o governo Lula se prepara para indicar um novo nome à vaga, movimento visto como estratégico para consolidar influência política na Suprema Corte.
Independentemente do ponto de vista, a aposentadoria de Barroso marca o fim de uma era de protagonismo judicial intenso e discursos politizados, que colocaram o STF no centro da cena política brasileira.