O “Impostômetro”, ferramenta da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), registrou nesta sexta-feira (8) a marca de R$ 4 trilhões em impostos pagos pelos brasileiros em 2025. O número considera tributos federais, estaduais e municipais, incluindo taxas e contribuições.
Apesar do valor bilionário arrecadado, o Brasil segue entre os países com maior carga tributária do mundo e menor retorno em serviços públicos de qualidade. Segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o peso dos impostos no PIB brasileiro ultrapassa 33%, superior à média da América Latina e próxima à de países desenvolvidos — mas sem o mesmo nível de infraestrutura, educação e segurança.
A alta tributação atinge diretamente o consumidor e as empresas, encarecendo produtos, reduzindo a competitividade e desestimulando investimentos. Além disso, a complexidade do sistema — com mais de 90 tipos de tributos — obriga o setor produtivo a gastar tempo e recursos apenas para cumprir obrigações fiscais.
Especialistas alertam que a carga tributária crescente, somada ao baixo retorno social, cria um ciclo de desconfiança entre Estado e contribuinte. Enquanto países com impostos elevados, como os nórdicos, devolvem serviços públicos eficientes, o Brasil ainda enfrenta deficiências graves em saúde, segurança e educação.
O debate sobre a reforma tributária volta ao centro das discussões. O governo promete simplificação e redistribuição da carga, mas o empresariado teme que a proposta mantenha o peso atual e apenas mude a forma de arrecadação.
Com mais de R$ 4 trilhões arrecadados em pouco mais de dez meses, o dado do Impostômetro reforça a principal contradição da economia brasileira: um Estado caro, pesado e ineficiente que continua cobrando muito e devolvendo pouco.