A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornou-se a bilionária self-made mais jovem do mundo ao fundar uma empresa hoje avaliada em US$ 11 bilhões. Filha de uma professora e de um engenheiro, oriunda da classe média, sua trajetória reúne episódios de disciplina extrema, excelência acadêmica e desempenho raro em ambientes altamente competitivos.
Ainda jovem, Luana enfrentou uma formação rigorosa no Balé Bolshoi, conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e bronze em matemática. Foi aprovada no MIT, universidade que aceita cerca de 4% dos candidatos do mundo, e passou por processos seletivos entre os mais difíceis do planeta, como Bridgewater Associates, de Ray Dalio, e Citadel, de Ken Griffin.
Aos 23 anos, fundou a própria empresa. Seis anos depois, alcançou o patamar bilionário. O dado que dimensiona a excepcionalidade do feito é eloquente: nos últimos 25 anos, cerca de 100 milhões de brasileiros chegaram à faixa dos 18 aos 29 anos. Apenas três se tornaram bilionários self-made antes dos 30 — uma proporção de 1 em 33 milhões.
Apesar disso, a reação no Brasil foi marcada por desconfiança e hostilidade. Parte do debate tentou reduzir a conquista a “privilégio de classe média”, ignorando o nível de risco, mérito e execução envolvidos. Chama atenção o fato de que os três brasileiros que atingiram esse patamar — Luana Lopes Lara, Henrique Dubugras Franceschi e Eduardo Saverin — construíram suas empresas nos Estados Unidos. Nenhum o fez no Brasil.
O contraste cultural é evidente: enquanto pesquisas indicam que 62% dos brasileiros invejam os ricos, nos Estados Unidos esse índice gira em torno de 28%. Lá, o sucesso costuma inspirar; aqui, frequentemente ofende. Em vez de perguntar “como posso fazer o mesmo?”, o debate se desloca para “por que ela e não eu?”.
O caso de Luana Lopes Lara reacende discussões sobre ambiente institucional, cultura do mérito e o papel da imprensa. Para críticos, o problema não está no sucesso individual, mas na incapacidade do país de transformar talento em prosperidade — e na tendência de tratar conquistas excepcionais como afronta moral, e não como exemplo a ser compreendido.