A mais recente análise da Quaest, divulgada nesta terça-feira (14), indica um movimento claro de desgaste do presidente Lula entre eleitores que concentram a maior parte da carga tributária do país. Profissionais liberais, pequenos empresários, gestores, supervisores e trabalhadores com renda a partir de cinco salários mínimos demonstram crescente rejeição à possibilidade de um quarto mandato do petista, motivada sobretudo pela percepção de sufocamento financeiro.

O dado central não está apenas na avaliação do governo, mas no medo antecipado de um “Lula 4”. Esse grupo sente diretamente o peso de impostos, juros elevados, crédito restrito e aumento do custo de vida — fatores que se tornam ainda mais visíveis no primeiro trimestre do ano, tradicionalmente marcado pelo acúmulo de despesas fixas, conhecido como “mês dos boletos”. É nesse período que a insatisfação tende a se consolidar politicamente.

A leitura do cenário sugere que, mantidas as atuais condições econômicas, a erosão do apoio da classe média pode se intensificar até março de 2026, transformando preocupação econômica em rejeição eleitoral. Para analistas, trata-se de um sinal de alerta: quando quem produz, empreende e sustenta o Estado começa a romper, o custo político tende a aparecer rapidamente nas urnas.

DESTAQUES