A COP30, apresentada como o ápice da “sustentabilidade global”, tem revelado um cenário bem diferente do prometido. O evento, que deveria simbolizar compromisso com a justiça climática, está sendo marcado por preços abusivos, restrições financeiras e problemas básicos de infraestrutura.

No cardápio, os valores surpreendem: coxinha a R$ 30, água a R$ 25 e almoço a R$ 70 — preços dignos de um resort de luxo, não de um encontro que prega combate à desigualdade e preservação ambiental.

Mas o problema vai além do custo. O uso de dinheiro vivo e cartões comuns foi proibido. Só é aceito um cartão exclusivo da Cielo, criado especialmente para o evento. Para obtê-lo, os participantes precisam se registrar com passaporte ou documento pessoal. O sistema é pré-pago e só funciona dentro do recinto. Para recarregar, é necessário enfrentar filas em pontos específicos.

O resultado, segundo relatos, é uma experiência marcada por monitoramento, burocracia e limitação de escolhas. “Nem a liberdade de decidir como pagar sobreviveu à economia verde”, ironizou um dos participantes.

Além disso, o evento enfrentou falta de água nos banheiros e quedas de energia elétrica, conforme reportagens de jornalistas presentes. O encontro global que promete “salvar o planeta” não conseguiu garantir sequer o básico aos próprios convidados.

A COP30, com toda sua estrutura bilionária e discurso de virtude ambiental, se tornou um retrato das contradições da agenda climática global: enquanto líderes discursam sobre justiça e sustentabilidade, os bastidores exibem luxo, desorganização e exclusão.

Analistas apontam que o modelo adotado na conferência reflete uma tendência de controle financeiro disfarçado de sustentabilidade — um tipo de laboratório social em que o consumo, a liberdade e até a forma de pagar são rigidamente controlados.

No fim, a imagem que fica é simbólica: a “economia verde” parece mostrar sua cor verdadeira — não a da floresta, mas a do dinheiro controlado e do poder concentrado.

DESTAQUES