A COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas marcada para 2025 em Belém (PA), já custa mais de R$ 6 bilhões aos cofres públicos — dinheiro proveniente, em sua maioria, dos impostos pagos pela população brasileira. Os valores incluem obras de infraestrutura, contratos administrativos e serviços voltados à realização do evento, que promete colocar o Brasil no centro das discussões ambientais globais.

Do total, cerca de R$ 4 bilhões são destinados a obras de saneamento, drenagem e urbanização em Belém. Outros R$ 1,06 bilhão vêm sendo aplicados diretamente na organização da conferência, incluindo um contrato de R$ 478 milhões firmado sem licitação com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).

Apesar da magnitude dos investimentos, especialistas e parte da opinião pública questionam o legado real que a COP30 deixará para o país. O argumento é de que o evento se transforma em um grande palco político e publicitário, com custos elevados e benefícios incertos para o cidadão comum — especialmente para os trabalhadores que arcam, indiretamente, com a conta.

Os críticos apontam que as conferências climáticas se repetem anualmente com discursos parecidos, mas com poucos resultados práticos. Enquanto líderes e delegações discutem metas e acordos, milhões de brasileiros continuam sem acesso a saneamento básico, educação de qualidade e oportunidades de emprego — justamente as áreas que mais poderiam ser fortalecidas com investimentos dessa escala.

O governo defende que o evento trará visibilidade internacional, turismo e parcerias estratégicas. No entanto, a desconfiança cresce à medida que o orçamento aumenta e os problemas estruturais do país permanecem.

Na prática, a COP30 pode se tornar mais um símbolo da distância entre a elite política e a massa trabalhadora: um evento bilionário, sustentado por quem mais precisa de retorno e menos vê resultados.

DESTAQUES