O desabafo de Carlos Bolsonaro ao irmão Eduardo Bolsonaro revelou o lado mais duro da política nacional: a solidão e o desgaste de quem renuncia à própria carreira em nome de uma causa. Em texto publicado nas redes sociais, o ex-vereador do Rio de Janeiro afirmou ter aberto mão de uma trajetória consolidada por “coerência, fé e propósito”, após quase 25 anos de vida pública.
“Após sete mandatos e quase 25 anos de dedicação ao Legislativo, abri mão de uma carreira política consolidada”, escreveu Carlos. Segundo ele, foram décadas de trabalho reconhecido, recordes de votos e decisões tomadas com convicção, muitas vezes para ajudar políticos e lideranças que ele “nem chegou a conhecer pessoalmente”.
No desabafo, Carlos destacou que sua saída da política não se deu por capricho, mas por lealdade a princípios e ao compromisso com os valores que sempre defendeu.
“Hoje, infelizmente, é notório que muitos daqueles que se beneficiaram dessa caminhada tratam antigos aliados como descartáveis. Ainda assim, não me arrependo. A dignidade está em agir por convicção, não por troca de interesses”, escreveu.
A fala ecoou como uma crítica à crueldade do ambiente político, onde alianças são frágeis e a gratidão, rara. O ex-vereador afirmou que o cenário atual é dominado por “acordos circunstanciais e interesses de ocasião”, em contraste com o idealismo que marcou sua trajetória e a da própria família.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente as palavras do irmão:
“Obrigado pelas palavras, meu irmão! Um forte abraço e, como disse para a Helô ontem: sentimos sua falta!”
O desabafo repercutiu entre aliados e analistas políticos como um retrato da exaustão pessoal e moral que envolve a família Bolsonaro, alvo de pressões judiciais e perseguições políticas. O episódio reforça a percepção de que, no atual cenário brasileiro, a integridade cobra um preço alto — e a política raramente perdoa quem se recusa a jogar conforme as regras do sistema.