A dívida pública bruta do Brasil superou os R$ 9,9 trilhões em outubro de 2025, segundo dados oficiais do Banco Central. O valor representa 78,6% do PIB e confirma o avanço contínuo do endividamento do setor público ao longo do ano. O aumento foi puxado principalmente pelos juros, que somaram R$ 987,2 bilhões nos últimos 12 meses — o maior valor já registrado.

A Dívida Pública Federal (DPF), que inclui apenas os débitos da União, alcançou R$ 8,253 trilhões em outubro, alta de 1,62% em relação ao mês anterior. O Tesouro Nacional projeta que a DPF deve encerrar 2025 entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões.

Diferença entre os indicadores

  • Dívida Pública Federal (DPF): engloba somente a dívida da União.
  • Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG): inclui União, INSS, estados e municípios — é o indicador utilizado internacionalmente para medir a saúde fiscal de um país.

A DBGG foi impulsionada pelo aumento das despesas obrigatórias, pela elevação dos juros e pelo crescimento menor que o esperado da economia. Só em 2025, a dívida bruta aumentou R$ 872 bilhões.

Especialistas avaliam que o ritmo atual de expansão da dívida pressiona o equilíbrio das contas públicas e mantém o Brasil entre os países emergentes com maior endividamento em relação ao PIB. O governo afirma que a trajetória será estabilizada com a arrecadação extra prevista no novo arcabouço fiscal — mas analistas apontam que, sem controle firme dos gastos, o endividamento tende a seguir em alta.

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