As preocupações que hoje atravessam a Europa são, em essência, as mesmas que inquietam o Brasil. A insegurança cresce nas ruas, o cidadão comum sente que o Estado já não cumpre sua função mais básica — garantir ordem e proteção — enquanto o debate público é capturado por pautas identitárias que pouco dialogam com a vida real. O resultado é um deslocamento perigoso das prioridades: fala-se muito de símbolos, narrativas e linguagem, mas cada vez menos de trabalho, produtividade, custo de vida e segurança.
Nesse ambiente, a chamada agenda woke deixa de ser apenas um fenômeno cultural e passa a influenciar políticas públicas, educação e até decisões administrativas. Em vez de promover coesão social, ela aprofunda divisões, cria novos conflitos e transforma discordância em crime moral. A experiência europeia mostra que ignorar esse efeito cobra um preço alto: aumento da rejeição às elites políticas, crescimento de movimentos de protesto e uma crise de confiança generalizada nas instituições.
Outro ponto de convergência é o avanço do ativismo judicial. Cortes que extrapolam seus limites constitucionais, reinterpretam leis conforme o clima político do momento e substituem a vontade popular por decisões tecnocráticas enfraquecem a democracia representativa. Quando o voto perde relevância e o cidadão percebe que decisões centrais são tomadas longe das urnas, o sistema inteiro entra em desgaste.
Europa e Brasil ainda têm realidades distintas, mas o alerta é o mesmo: sem segurança, sem liberdade de debate e sem respeito aos limites institucionais, não há prosperidade nem democracia sólida. Ignorar esses sinais é insistir em erros já testados — e fracassados — do outro lado do Atlântico.