O nome de Guilherme Boulos (PSOL) tem ganhado força nos bastidores de Brasília como possível ministro em um eventual novo governo de Lula, ou mesmo como sucessor político da esquerda brasileira. A possibilidade, embora pareça absurda para muitos brasileiros, é reveladora: o país que um dia elegeu um operário agora se prepara para elevar ao poder um invasor de propriedades privadas, alguém que fez carreira afrontando a lei e transformando o desrespeito à ordem em bandeira política.

Antes de ocupar os palanques e posar como liderança nacional, Boulos liderou invasões ilegais, incentivou ocupações de imóveis e foi detido por desobediência a decisões judiciais. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que comanda desde muito jovem, foi usado durante anos como instrumento de pressão política, travestido de causa social. Ao longo de sua trajetória, o movimento recebeu apoio e respaldo de governos petistas, de ONGs internacionais e de grupos que enxergam na desordem urbana um trampolim para agendas ideológicas.

O contraste é gritante. Enquanto milhões de brasileiros trabalham duro, pagam impostos e lutam para manter o direito de ter um teto, Boulos construiu sua imagem invadindo o que pertence aos outros. A mesma sociedade que pune pequenos empreendedores e sufoca quem produz, hoje aplaude um homem cuja biografia está marcada por atos de ilegalidade. E é justamente esse homem que agora é cotado para assumir uma pasta ministerial, tornando-se o símbolo máximo da inversão de valores que domina a política nacional.

A trajetória de Boulos ajuda a entender o declínio moral e institucional do país. Em 1999, ainda adolescente, ingressou no MTST e passou a pregar o fim da propriedade privada, participando de invasões e mobilizações radicais. Durante o primeiro governo Lula, consolidou sua relação com o PT e ganhou força dentro da esquerda organizada. Em 2014, liderou grandes invasões em São Paulo, usando o caos urbano como palanque político. Em 2017, oficializou sua entrada na política partidária ao filiar-se ao PSOL, abrindo caminho para disputar eleições com o discurso de defensor dos pobres — ainda que jamais tenha vivido como um deles.

Na eleição presidencial de 2018, recebeu menos de 1% dos votos, mas conquistou o espaço que buscava: o de representante da esquerda radical em um novo ciclo de poder. Em 2020, concorreu à Prefeitura de São Paulo e chegou ao segundo turno, impulsionado pelo apoio aberto de Lula e de toda a estrutura do PT. Dois anos depois, foi eleito deputado federal mais votado do estado, com mais de um milhão de votos, tornando-se uma das vozes mais ativas no Congresso em defesa do estatismo e da militância ideológica.

Agora, entre elogios da imprensa e acenos do Planalto, Guilherme Boulos se apresenta como o nome preferido para ocupar um ministério estratégico em um eventual rearranjo político. O invasor de propriedades virou figura de Estado. A militância transformou-se em currículo. A ilegalidade foi rebatizada de “luta social”.

A possível nomeação de Boulos é mais do que uma escolha política: é o retrato do Brasil em crise de valores. Um país que normaliza o crime em nome da justiça social, que transforma o radicalismo em virtude e que confunde o discurso de igualdade com a prática da desordem. Se o lulismo decidir coroar Boulos como ministro, o gesto será simbólico — o triunfo de uma mentalidade que pune quem trabalha e recompensa quem afronta a lei. E talvez seja também o marco definitivo da decadência moral de uma esquerda que, há muito tempo, trocou a justiça pela conveniência.

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