Com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível até 2030 e enfrentando o risco de cumprir pena no Complexo Penitenciário da Papuda, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) confirmou que pretende concorrer à Presidência da República em 2026.
A declaração foi dada em entrevista ao canal Market Makers, no YouTube, onde o parlamentar fez críticas diretas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo Eduardo, Tarcísio “não serve” como candidato presidencial por representar “os interesses do mercado financeiro”, e não os do grupo político identificado com o bolsonarismo.
“O projeto do establishment é enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo para colocar adiante um candidato pintado de direita, mas que serve ao sistema”, afirmou.
Apesar da perspectiva de uma disputa difícil, Eduardo declarou que concorrer já seria uma forma de vitória, caso consiga “manter acesa a chama do conservadorismo e da direita no país”.
Análise: os pesos e contrapesos de uma candidatura
A fala de Eduardo Bolsonaro expõe as tensões internas no campo da direita brasileira, que, desde a inelegibilidade do ex-presidente, busca uma nova liderança capaz de unir o eleitorado sem trair os princípios originais do movimento.
De um lado, há um núcleo ideológico, fiel ao discurso conservador e de enfrentamento às instituições aparelhadas — representado por Eduardo e figuras mais alinhadas ao bolsonarismo raiz. De outro, um setor pragmático, que aposta em perfis moderados e com maior aceitação institucional, como Tarcísio de Freitas.
A disputa entre essas duas vertentes tende a definir o peso político do bolsonarismo sem Bolsonaro, e revelar até que ponto o movimento sobrevive à ausência de seu principal líder. Eduardo aposta na lealdade simbólica ao pai como principal ativo eleitoral. Já o grupo de Tarcísio tenta mostrar que é possível ser “herdeiro político” sem reproduzir o radicalismo.
Em meio a esse equilíbrio delicado, o sistema político e econômico observa. De um lado, teme o retorno do discurso antiestablishment; de outro, reconhece que o eleitorado conservador continua numeroso e decisivo para qualquer vitória nacional.
Assim, o cenário que se desenha para 2026 é o de uma direita dividida entre idealismo e governabilidade, e um bolsonarismo que, mesmo sem Bolsonaro na urna, ainda impõe fortes contrapesos ao tabuleiro político brasileiro.