A Equatorial Alagoas lidera o ranking de reclamações no Procon, refletindo o poder quase absoluto de um monopólio privado sobre os consumidores. Sem concorrência efetiva, a empresa atua com autoridade ampla — cobrando, ameaçando cortes e impondo serviços de forma opaca, enquanto o cidadão permanece sem meios de defesa reais.

O problema remonta à privatização da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), em 2018. Vendida por apenas R$ 50 mil, em um leilão com apenas um participante, a Equatorial assumiu passivos de cerca de R$ 1,8 bilhão, incluindo dívidas e compromissos de investimento. O modelo prometia eficiência, redução de perdas e melhoria do serviço — mas, na prática, deixou o consumidor mais vulnerável.

As reclamações mais recorrentes envolvem funcionários despreparados, ameaças de corte, cobranças indevidas e tarifas abusivas, além da sensação de impotência diante de um sistema sem canais de resposta rápidos e transparentes. O que antes era poder de polícia do Estado transformou-se em poder privado sem limites claros.

Especialistas reconhecem que abrir concorrência no setor elétrico é complexo, por exigir infraestrutura pesada e alto investimento, mas defendem que o debate precisa voltar à pauta pública.
Não é possível que o consumidor continue refém de um monopólio privado sem fiscalização efetiva”, resume um especialista ouvido pela reportagem.

Soluções em debate

  • Fortalecer a fiscalização da ANEEL e do Procon, com ações preventivas e punitivas.
  • Revisar tarifas de forma transparente, com participação popular e mecanismos ágeis de contestação.
  • Estudar a abertura do mercado, para permitir concorrência gradual e opções reais ao consumidor.
  • Criar canais digitais integrados de reclamação, que unam órgãos fiscalizadores e acelerem respostas.
  • Aplicar penalidades mais severas para casos reincidentes de abuso.

O caso da Equatorial Alagoas mostra que transferir monopólio estatal para o setor privado sem controle efetivo não significa modernização — e sim troca de poder sem garantia de justiça ao consumidor.
Enquanto não houver regras claras e fiscalização firme, o cidadão seguirá vulnerável a abusos constantes, e a empresa continuará lucrando sobre um monopólio intocável.

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