O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Rodrigo Pimentel, defendeu em entrevista uma proposta rígida de combate à criminalidade urbana: pena de 8 anos em regime fechado para quem roubar celular, sem direito a audiência de custódia, progressão de pena ou saídas temporárias.
Segundo Pimentel, a medida seria uma forma de reduzir a impunidade e o estímulo ao crime patrimonial, considerado hoje um dos delitos mais recorrentes nas grandes cidades brasileiras. “Quem rouba celular hoje sabe que não ficará preso. Isso incentiva o crime e desmoraliza a polícia”, afirmou.
O roubo e o furto de celulares representam uma das principais estatísticas de criminalidade no país. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de um milhão de aparelhos são roubados ou furtados por ano no Brasil, o que equivale a cerca de dois crimes desse tipo por minuto.
Especialistas em segurança pública divergem sobre a eficácia de penas mais duras. Parte dos analistas acredita que o aumento da punição não resolve o problema sem reforço na investigação e rapidez no julgamento, enquanto outros defendem que penas firmes têm efeito dissuasório e podem reduzir o número de ocorrências.
A proposta de Pimentel reacende o debate sobre a proporcionalidade das penas e o equilíbrio entre repressão e prevenção no sistema penal brasileiro. Atualmente, o Código Penal prevê de 4 a 10 anos de reclusão para o crime de roubo, com possibilidade de redução ou progressão de pena conforme o caso.
A questão central que divide opiniões é se penas mais severas diminuem ou apenas deslocam a criminalidade — um desafio que permanece no centro das políticas públicas de segurança no país.