Desde o atentado a faca sofrido durante a campanha de 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro já passou por 14 intervenções médicas, segundo informações públicas de sua equipe. O dado voltou ao centro do debate político e foi rapidamente incorporado ao discurso de apoiadores e críticos, reacendendo a polarização que marcou os últimos anos da política brasileira.
Para aliados, as sucessivas cirurgias reforçam a narrativa de que Bolsonaro é vítima de violência política e de perseguição, servindo como símbolo de resistência e mobilização de sua base. Já opositores minimizam o impacto político do episódio ou acusam o uso recorrente do tema como estratégia para manter engajamento e vitimização. Nas redes sociais, o assunto costuma migrar rapidamente do campo informativo para o confronto ideológico, com ataques pessoais e desinformação.
O caso ilustra como episódios de natureza humana e médica passaram a ser instrumentalizados na disputa política, ampliando a radicalização e reduzindo o espaço para um debate público racional. Em vez de convergir para consensos mínimos — como a condenação da violência —, a discussão frequentemente aprofunda o “nós contra eles”, reforçando bolhas e dificultando a reconstrução de um ambiente político menos hostil.