Mais de 200 mil famílias alagoanas podem ser beneficiadas pela Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), programa federal que garante desconto de até 100% na conta de luz para famílias de baixa renda. O benefício é voltado a quem consome até 80 kWh por mês — um alívio real no orçamento de quem vive com pouco, mas que também desperta questionamentos sobre o uso político das políticas sociais em períodos eleitorais.
De acordo com a Equatorial Alagoas, cerca de 117 mil famílias da região metropolitana de Maceió e da zona da mata ainda não estão cadastradas, assim como outras 83 mil no interior do estado — entre o agreste, o sertão e o baixo São Francisco. A distribuidora afirma que tem promovido ações itinerantes para ampliar o número de beneficiários, inclusive entre inquilinos, que podem acessar o programa ao vincular o Número de Identificação Social (NIS) ao imóvel em que vivem.
Embora o benefício exista desde 2002, a intensificação de campanhas de adesão e divulgação costuma coincidir com momentos de desgaste político e proximidade de disputas eleitorais — quando o governo busca reforçar sua imagem junto às camadas mais vulneráveis da população.
Economistas alertam que esse tipo de medida, embora importante no curto prazo, não ataca as causas estruturais da pobreza energética nem resolve o problema da dependência de subsídios. “É o típico populismo de resultados imediatos, mas de efeito limitado. Alivia o bolso, mas não emancipa o cidadão”, analisa o economista e consultor em políticas públicas João Mendonça.
Em Alagoas, a Tarifa Social pode representar uma economia de até R$ 150 por mês para famílias que vivem com um salário mínimo. Porém, sem políticas de geração de emprego, educação técnica e eficiência energética, o benefício tende a se tornar mais uma ferramenta de dependência, em vez de um passo para a autonomia.