O governo federal tem avançado na ampliação de mecanismos de controle sobre a vida financeira dos cidadãos, com monitoramento de operações via Pix, cruzamento de dados fiscais, aplicação de multas automáticas e punições administrativas para erros ou omissões tributárias. As medidas são apresentadas como instrumentos de combate à sonegação e aumento da arrecadação.

Na prática, o rigor imposto ao contribuinte contrasta com a ausência de responsabilização do próprio Estado. Enquanto pessoas físicas e empresas enfrentam sanções imediatas, o governo acumula atrasos, promove intervenções em fundos públicos, registra prejuízos em estatais e não sofre penalidades equivalentes.

Especialistas apontam que o desequilíbrio cria um cenário de dois pesos e duas medidas: controle crescente sobre o cidadão comum e ampla margem de impunidade para a gestão pública. O debate gira em torno dos limites da fiscalização e da necessidade de simetria entre deveres e responsabilidades.

O tema reacende discussões sobre transparência, accountability e o papel do Estado em garantir que o rigor aplicado ao contribuinte também alcance o próprio poder público.

DESTAQUES