Pela primeira vez em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a um empate técnico entre aprovação e desaprovação. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (8), 48% aprovam e 49% desaprovam o governo. Já o levantamento Ipsos-Ipec mostra cenário mais crítico: 55% desaprovam e 58% dizem não confiar no presidente. A diferença entre os números evidencia um momento de desgaste político e de ceticismo popular.

O peso da economia no dia a dia do cidadão é central nessa avaliação. Apesar de indicadores oficiais apontarem queda da inflação e crescimento do PIB, o brasileiro continua sentindo o aumento do custo de vida. Preços de alimentos, combustíveis e serviços básicos pressionam o orçamento doméstico, enquanto o endividamento permanece elevado. A percepção é que, na prática, a melhoria ainda não chegou à mesa da população.

O crescimento do PIB, embora positivo em números técnicos, tem origem no aumento da carga tributária e nos gastos do governo — não na geração sustentável de empregos ou de riqueza. O Estado consome mais, tributa mais e distribui mais, mas o setor produtivo continua travado. Isso cria a sensação de estagnação, mesmo diante de estatísticas que poderiam indicar recuperação.

O cenário se agrava com a dependência social crescente. Hoje, o Bolsa Família atende cerca de 54 milhões de brasileiros, o maior número da história do programa. O auxílio foi fundamental para evitar o colapso social durante crises, mas também evidencia a dificuldade de ampliar renda e produtividade de forma estruturada.

Analistas políticos alertam que a confiança das classes médias e de trabalhadores que não se beneficiam diretamente do auxílio federal é decisiva para o futuro político do governo. O otimismo das estatísticas esbarra na realidade de quem paga impostos, arca com contas básicas e sente que a economia cresce apenas “no papel”.

Com aprovação estagnada e confiança em queda, o governo enfrenta um teste crítico: convencer a população de que o crescimento é real e que os efeitos da política econômica chegam de fato ao cidadão comum. Até lá, o empate técnico revela mais do que números — reflete a tensão entre percepção social e indicadores oficiais, e a fragilidade da narrativa governamental diante da rotina do brasileiro.

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