Mais beneficiários que estudantes: o risco do uso eleitoreiro do “Pé de Meia”
Em diversas cidades brasileiras, o número de beneficiários do programa social “Pé de Meia” já supera a quantidade de estudantes matriculados nas escolas locais. Esse dado revela não apenas uma dependência crescente de políticas assistenciais, mas também levanta questionamentos sobre o uso eleitoreiro desses programas.
O Pé de Meia é um programa de incentivo financeiro-educacional destinado a estudantes do ensino médio público e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o objetivo de promover a permanência e a conclusão escolar. Ao comprovar matrícula e frequência, o estudante recebe pagamentos mensais e um depósito anual de R$ 1.000, que só pode ser retirado após a formatura, totalizando até R$ 9.200 por aluno ao longo do programa.
Segundo dados oficiais, o programa beneficiou 5,6 milhões de estudantes entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, com repasses que somaram mais de R$ 10 bilhões. No entanto, especialistas alertam que, quando programas sociais são distribuídos visando resultados políticos, em vez de atender necessidades estruturais, surgem problemas graves: aumento da dependência do Estado e possíveis impactos na educação, mobilidade social e cultura do esforço individual.
O desequilíbrio fica evidente quando mais pessoas recebem assistência do que estudam, mostrando que a prioridade não está na formação ou na mobilidade social, mas na manutenção de um eleitorado dependente. Essa situação compromete não apenas a autonomia das famílias, mas também a capacidade das cidades de promover um desenvolvimento sustentável e meritocrático.