O Nordeste continua sendo a região com maior taxa de analfabetismo do país, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mais recente, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), mostra que cerca de 11,7% da população nordestina com 15 anos ou mais ainda não sabe ler nem escrever — mais que o dobro da média nacional, que é de 5,4%.

Entre os estados, Alagoas, Piauí e Maranhão lideram os índices mais elevados, enquanto Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo registram as menores taxas do país. O contraste revela a persistência de desigualdades regionais históricas que afetam diretamente o acesso à educação básica.

De acordo com o IBGE, o Brasil tem aproximadamente 9,6 milhões de analfabetos, e quase 60% vivem no Nordeste. A taxa cai entre os jovens, mas continua alta entre pessoas com mais de 60 anos, especialmente em áreas rurais.

Especialistas apontam que o problema está relacionado à evasão escolar, à baixa qualidade do ensino e à falta de políticas contínuas de alfabetização. A pandemia de Covid-19 agravou o cenário, interrompendo o aprendizado de milhares de alunos e ampliando a defasagem escolar.

Apesar dos avanços pontuais, o ritmo de redução do analfabetismo no Brasil tem desacelerado nos últimos anos. Para especialistas, o desafio é garantir acesso à educação de qualidade desde a primeira infância e fortalecer programas permanentes de alfabetização de adultos.

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