O Supremo Tribunal Federal enfrenta hoje o maior volume de pedidos de impeachment de sua história. São 81 solicitações de afastamento de ministros, segundo dados revelados pelo próprio Flávio Dino. O número, que o ministro disse ser “algo que jamais aconteceu no Brasil ou em qualquer país do planeta Terra”, revela não apenas a crescente tensão entre o tribunal e a sociedade, mas um desgaste profundo da imagem da Corte.

Apesar da indignação de Dino, o recorde de pedidos não surge do nada. Nos últimos anos, o STF acumulou decisões controversas e inéditas — investigações abertas de ofício, prisões decretadas sem julgamento colegiado, monocráticas que derrubam leis e atos de outros Poderes, além de ministros atuando simultaneamente como partes interessadas e julgadores. Esses episódios alimentaram uma percepção crescente de que o tribunal opera sem limites claros e sem mecanismos eficazes de responsabilização.

Em vez de reconhecer esse desgaste, representantes do próprio STF têm defendido mudanças para tornar o impeachment ainda mais difícil, concentrando poder e restringindo a participação da sociedade. A tentativa de blindagem, porém, reforça a sensação de distanciamento entre a Corte e os cidadãos. O recorde de pedidos, longe de ser apenas uma “onda de ataques”, é um termômetro claro do momento: nunca tantos brasileiros duvidaram tanto da credibilidade do Supremo.

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