O ator e diretor Wagner Moura voltou a repercutir nas redes sociais após declarar que “é importante viver em um país em que o presidente gosta de cultura”. A fala, feita durante entrevista recente, coincidiu com a divulgação de que o longa O Agente Secreto, estrelado por Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, recebeu R$ 7,5 milhões em recursos públicos.

A coincidência motivou publicações que associaram o elogio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao repasse do valor, mas a informação tem sido divulgada de forma imprecisa. Os recursos não vieram da Lei Rouanet, e sim do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), mecanismo de fomento administrado pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), voltado a investimentos diretos em produções cinematográficas.

De acordo com dados oficiais da Ancine, o projeto foi contemplado pela chamada pública “Produção Cinema via Distribuidora 2023”, que destinou R$ 7,5 milhões ao filme, produzido pela Cinemascópio e pela produtora portuguesa O Som e a Fúria. A iniciativa tem como foco fortalecer a coprodução internacional e ampliar a presença do cinema brasileiro em festivais e plataformas estrangeiras.

Especialistas ouvidos por Litoral explicam que o FSA não utiliza renúncia fiscal, como ocorre na Lei Rouanet. O fundo é composto por recursos do setor audiovisual e do Tesouro Nacional, aplicados por meio de editais e contratos de investimento. “A confusão é comum, mas são instrumentos distintos. O FSA é um fundo público de investimento, não uma autorização para captação privada”, afirma um consultor do setor.

As declarações de Wagner Moura sobre Lula não fizeram menção ao financiamento do longa. O ator já havia se posicionado em outras ocasiões a favor do presidente, destacando a importância das políticas culturais. Em 2024, Moura também recebeu uma ligação de Lula após o prêmio conquistado pelo curta Anhangá em Cannes.

Nas redes sociais, as reações se dividiram entre críticas à utilização de recursos públicos e manifestações de apoio ao incentivo cultural. A Ancine reforçou, em nota, que todos os projetos aprovados pelo FSA passam por análise técnica e seguem critérios de seleção definidos em edital público.

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