Editorial Litoral
O Brasil volta a experimentar os efeitos do velho patrimonialismo — a confusão entre o que pertence ao Estado e o que pertence aos governos. O resultado é previsível: empresas públicas que operam como instrumentos políticos, não como negócios sustentáveis.
Dados do Banco Central revelam que as estatais federais acumularam um déficit de R$ 5,5 bilhões até julho de 2025, o pior resultado em mais de duas décadas. Enquanto isso, o discurso oficial fala em “reconstrução do papel do Estado na economia”, como se repetir os erros do passado fosse uma inovação.
Desde os anos 1980, o Brasil insiste em tratar o Estado como um grande empresário — dono de refinarias, bancos, portos, aeroportos, fábricas e distribuidoras. Mas o que se observa, na prática, é a transferência de riscos e prejuízos ao contribuinte, enquanto gestores e aliados políticos usufruem dos bônus do poder.
O patrimonialismo brasileiro sempre teve uma marca: a crença de que o Estado pode ser mais eficiente que o mercado. A experiência histórica mostra o contrário. A interferência política em empresas públicas costuma resultar em inchaço, má alocação de recursos e decisões orientadas por ideologia, não por racionalidade econômica.
Economistas apontam que, ao insistir no modelo do “Estado empresário”, o país perpetua a dependência de subsídios e o desestímulo à competitividade. Sem autonomia de gestão e expostas a interferências governamentais, as estatais tornam-se arenas de disputa e instrumentos de poder — não motores de desenvolvimento.
O mais preocupante é que, mesmo diante de déficits recordes e resultados negativos, a retórica oficial continua a mesma: mais investimento público, mais controle, mais Estado. O que falta, talvez, é mais responsabilidade com o dinheiro de quem sustenta tudo isso — o contribuinte.